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Gestão anestésica externa: 5 indicadores que mostram quando adotar este modelo

Cancelamentos, escalas descobertas, rotatividade, segurança e atrito entre equipes: o que medir antes de decidir.

8 min de leitura Verificado por AMD Anestesia
Em 30 segundos

  • Cinco indicadores ajudam a decidir quando avaliar a gestão anestésica externa: cancelamentos, escalas descobertas, rotatividade, segurança e atrito entre equipes.
  • Não há meta universal. A referência é o histórico do próprio hospital e a tendência dos últimos 6 a 12 meses.
  • Se os números estão sob controle e a equipe é estável, não há motivo para mudar de modelo.

Em 2013, um hospital público de São Paulo agendou 8.443 cirurgias eletivas. Foram canceladas 573, ou 6,79%.

O dado vem de um estudo publicado na Revista Brasileira de Enfermagem.

Em dois hospitais do Nordeste, a taxa chegou a 23,3% e a 42,7%.

Cancelamento é apenas um dos números que o centro cirúrgico produz. Quando vários indicadores pioram ao mesmo tempo, o problema deixa de ser de uma sala e passa a ser do modelo.

Este texto reúne cinco indicadores que ajudam a decidir quando vale avaliar a gestão anestésica externa. Eles são critérios práticos deste artigo, e não um padrão normativo.

Medir antes de decidir

Trocar o modelo de anestesia é uma decisão de longo prazo. Ela deve partir de números do próprio hospital, e não de impressões do último plantão difícil.

Não existe meta universal para nenhum dos cinco indicadores abaixo. A referência é o seu histórico e a tendência dos últimos 6 a 12 meses.

E o contrário vale: se os números estão sob controle e a equipe é estável, não há motivo para mudar.

O que é gestão anestésica externa

É o modelo em que um parceiro assume, por contrato, a organização do serviço de anestesia: escalas, protocolos, indicadores e reposição de equipe. Também é chamada de gestão anestésica estruturada.

O hospital não abre mão da responsabilidade. A Resolução CFM 2.174/2017 atribui ao diretor técnico a tarefa de assegurar as condições mínimas para uma anestesia segura.

O que muda é quem organiza a rotina e presta contas dela. Para entender o modelo completo, veja o guia de gestão anestésica externa em São Paulo.

1. Cancelamentos e atrasos na primeira cirurgia

Comece pelo que é mais fácil de contar: quantas cirurgias foram suspensas no dia e quantas vezes a primeira da manhã atrasou.

Nem toda suspensão é da anestesia. No estudo paulista, 48,33% dos cancelamentos foram clínicos e 46,40% não clínicos, como pedido do cirurgião, paciente não internado e falta de material.

Ainda assim, parte das causas clínicas, como infecção respiratória ou pressão descontrolada, pode ser identificada antes do dia da cirurgia. É para isso que existe a avaliação pré-anestésica.

Para a primeira cirurgia, a pergunta é simples: o paciente entrou na sala no horário combinado? A AORN, associação de enfermagem perioperatória dos EUA, não fixa meta única. Cita, porém, um serviço que passou de 40% a 50% para cerca de 80% de início pontual depois de acompanhar o indicador.

Sinal de alerta: taxa alta ou crescente, com causas ligadas a escala ou a avaliação pré-anestésica. Aprofunde em como reduzir cancelamentos cirúrgicos.

2. Escalas descobertas e plantonistas avulsos

Conte quantos plantões foram cobertos pela equipe fixa e quantos exigiram substituição de última hora.

A resolução do CFM proíbe que o mesmo anestesiologista conduza anestesias simultâneas em pacientes diferentes e determina que ele permaneça na sala durante a anestesia geral ou regional.

Na prática, uma falta não se resolve “esticando” quem está de plantão. Ou entra outro anestesiologista, ou a sala para.

Sinal de alerta: substituições frequentes, profissionais que mudam a cada semana e diretoria médica dedicando horas a fechar a escala. O tema é detalhado em escala médica hospitalar em SP.

3. Rotatividade e tempo gasto com escalas

Este é o custo que costuma ficar fora do relatório, porque aparece como horas de gente e não como linha de orçamento.

Registre quantos anestesiologistas entraram e saíram no ano, quantas negociações individuais foram necessárias e quantas horas a diretoria médica gastou com escala.

Uma equipe que muda o tempo todo também conhece menos os fluxos do hospital, as preferências dos cirurgiões e os protocolos da casa.

Sinal de alerta: saídas frequentes, equipe sem rotina comum e tempo de gestão consumido por reposição.

4. Segurança sem rotina de governança

Acompanhe a adesão à lista de verificação cirúrgica, as náuseas e vômitos no pós-operatório, os episódios de via aérea difícil e os eventos adversos notificados.

Há um exemplo clássico do valor de padronizar. Em oito hospitais de diferentes países, a implantação da lista de verificação da OMS foi acompanhada de queda das complicações de 11% para 7% e da mortalidade de 1,5% para 0,8%. O estudo comparou antes e depois, sem grupo controle.

Sinal de alerta: indicadores que não são medidos, não mudam ao longo do tempo ou não geram nenhuma ação. Veja também como a acreditação atua na jornada do paciente cirúrgico e quais são os indicadores essenciais de auditoria.

5. Atrito entre cirurgiões, anestesia e administração

É o mais difícil de medir e o mais fácil de sentir. Queixas sobre atraso, desencontro de informação e pauta que muda em cima da hora costumam aparecer antes de qualquer planilha.

Uma pesquisa curta com cirurgiões, a cada semestre, já dá uma tendência. Duas perguntas bastam: a pauta começa no horário e a equipe de anestesia conhece o caso?

Sinal de alerta: as mesmas queixas se repetem e ninguém tem o papel de resolvê-las. Falta um interlocutor único entre corpo clínico e administração.

Interativo

O radar dos cinco sinais

Para cada indicador, escolha o que mais se parece com o seu hospital: 0 é sob controle e 3 é problema frequente.

Como levantar os números sem planilha complexa

A maioria dos hospitais já tem os dados. Eles só estão espalhados em sistemas e relatórios diferentes.

Peça ao centro cirúrgico a lista de cirurgias suspensas, com o motivo registrado. Peça à diretoria médica o histórico de escalas e substituições. Peça à qualidade os eventos adversos e a adesão à lista de verificação.

Junte tudo em uma folha por mês. Não precisa de gráfico sofisticado: seis a doze linhas já mostram se a curva sobe, desce ou fica parada.

Duas precauções evitam conclusões erradas. A primeira é separar cancelamento por causa clínica, por causa administrativa e por falta de recurso. A segunda é comparar o hospital com ele mesmo, e não com números de outras instituições, que têm porte e perfil diferentes.

Por fim, registre quem é o responsável por cada número. Indicador sem dono costuma deixar de ser medido em dois ou três meses.

Esse levantamento também serve em qualquer cenário. Se o hospital decidir manter a equipe atual, terá uma linha de base para acompanhar melhorias. Se decidir pedir propostas, terá o que exigir como meta.

Como usar o resultado

O radar não é um diagnóstico. Serve para organizar a conversa interna e decidir quais números levantar primeiro.

Se três ou mais sinais aparecem com frequência, vale pedir propostas de gestão externa. Se só um deles incomoda, talvez o ajuste seja interno.

Ao receber propostas, exija que elas tragam os mesmos indicadores como metas e relatórios periódicos. O passo a passo está em como contratar um serviço de anestesia.

Na prática AMD

A AMD Anestesia reúne mais de 50 anos de atuação, mais de 70 anestesiologistas e acreditação Qmentum Diamond desde 2019.

O modelo é de parceria de longo prazo, com protocolos, escala estruturada e indicadores compartilhados com a diretoria.

Perguntas frequentes

O próximo passo

Comece pelos números do seu hospital. Se o radar mostrar vários sinais, converse com um parceiro que trabalhe com metas claras e prestação de contas.

A AMD está à disposição para esse diálogo. Conheça a AMD Anestesia e fale com a nossa diretoria médica.

Verificado por AMD AnestesiaConteúdo verificado pela AMD Anestesia. Informativo; não substitui avaliação clínica individual.

Fontes

  1. Estudo sobre cancelamento de cirurgias eletivas em hospital público brasileiro. Rev Bras Enferm, 2017. SciELO
  2. Avaliação dos fatores de cancelamento de cirurgias em hospitais do nordeste brasileiro. Rev SOBECC. SOBECC
  3. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.174/2017. PDF
  4. AORN. How do you measure up? Outpatient Surgery Magazine, 2013. AORN
  5. Haynes AB et al. A surgical safety checklist to reduce morbidity and mortality in a global population. N Engl J Med, 2009 (números conferidos em resumo). MDedge
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