- O valor da hora é o custo mais visível da anestesia, mas atrasos, suspensões, escala improvisada e desperdício também pesam.
- Valores de minuto de sala costumam ser de cobrança, e não de custo; o hospital deve calcular o próprio custo.
- Reduzir custo não é reduzir cobertura: o que se corta deve ser o que o indicador mostra que não gera valor.
Na reunião de orçamento, a pergunta costuma ser curta: quanto custa a hora do anestesiologista? A resposta cabe em uma linha da planilha. O custo da anestesia para o hospital, não.
O valor da hora é o item mais visível e, por isso, o mais negociado. O que pesa no resultado muitas vezes está em outro lugar: na sala que abre tarde, na cirurgia suspensa, na escala remendada na véspera.
Este artigo mostra onde esses custos aparecem, o que a literatura permite afirmar e quais indicadores o próprio hospital pode acompanhar antes de decidir qualquer coisa.
O que a proposta mostra e o que ela não mostra
Uma proposta de anestesia costuma trazer valores de plantão, de hora ou de contrato. É um número claro e fácil de comparar entre fornecedores.
Só que o custo total de ter anestesia no centro cirúrgico inclui outras coisas: o que acontece quando falta alguém, quando a sala começa atrasada, quando a cirurgia é suspensa ou quando a recuperação trava o fluxo de leitos. Esses itens não aparecem na proposta, mas aparecem no resultado do mês.
O módulo abaixo organiza esses itens em camadas. Toque em cada uma para ver o que ela significa e como o hospital pode medi-la.
Do valor da hora ao custo total
Nem todas as camadas se aplicam a todo hospital, e nenhuma delas deve ser transformada em número sem dados próprios. A utilidade do exercício é outra: mostrar quais perguntas a diretoria ainda não consegue responder.
Cuidado com a conta do minuto de sala
É comum ouvir que cada minuto de centro cirúrgico custa um valor fixo, e multiplicar esse valor pelo tempo parado. A conta é tentadora, mas exige cuidado.
Um editorial publicado em 2010 no Journal of Clinical Anesthesia discute exatamente isso. Os valores citados naquele trabalho (em torno de US$ 62 por minuto, com variação de 22 a 133) eram de cobrança, vinham de dados de 2005 em hospitais americanos e não incluíam honorários médicos. O autor também lembra que a maior parte dos custos de sala é fixa, o que faz o custo de um minuto perdido ser menor do que o valor cobrado sugere.
A conclusão prática não é que o atraso não importa. É que o hospital precisa calcular o custo da sua própria sala, com seus contratos e sua estrutura, em vez de importar um número de fora.
Atrasos: o que um caso real mostra
O atraso da primeira cirurgia é um dos pontos em que a gestão mais consegue agir. O assunto é tratado em detalhe em gestão de centro cirúrgico em SP.
Um estudo de caso da AORN, em um centro cirúrgico ambulatorial americano, partiu de 30% de primeiras cirurgias no horário. Após 12 meses de trabalho organizado, chegou a 79%, e o atraso médio caiu de cerca de 24 para cerca de 17 minutos. É um serviço específico, e o resultado não se transfere automaticamente a outro hospital. Mas mostra que o indicador responde a método.
Atrasos têm várias causas, e a anestesia é apenas uma delas. Por isso a medição precisa separar o motivo de cada atraso, antes de atribuir a qualquer setor.
Suspensões e escala: custos que se repetem
Cirurgias suspensas geram custos que se repetem mês a mês: paciente que jejuou e voltou para casa, equipe escalada sem procedimento, sala reservada sem uso. Em um estudo paulista, 46,40% dos cancelamentos tiveram causas não clínicas. O tema está desenvolvido em reduzir cancelamentos cirúrgicos.
A escala é outra fonte de custo recorrente. Quando há buracos, o hospital costuma pagar mais para cobrir de última hora, ou abre a sala sem cobertura planejada. Como organizar isso está em escala médica hospitalar em SP.
Em ambos os casos, o ganho vem de previsibilidade. Menos improviso significa menos pagamento extra e menos horas da diretoria dedicadas a apagar incêndio.
Insumos e padronização: o que um estudo sul-africano mediu
Outro ponto é o desperdício de medicamentos anestésicos. Um estudo observacional publicado em 2025 no South African Medical Journal acompanhou 373 pacientes em um hospital acadêmico de Joanesburgo, durante duas semanas. O desperdício médio de fármacos foi de 29,7%: 21,3% de desperdício rotineiro (o que sobra depois de administrada a dose) e 8,4% de desperdício evitável (o que foi preparado e não usado).
Os números vêm de um único hospital, de outro país e de um período curto, e não podem ser lidos como retrato do Brasil. Os próprios autores sugerem medidas como ampolas menores e seringas preenchidas. O que vale levar para o hospital é a pergunta: existe protocolo de preparo e padronização de kits, e alguém mede o que sobra?
Quatro frentes que o hospital pode medir
A tabela resume onde uma gestão anestésica estruturada pode atuar e como verificar se houve mudança. É uma leitura de gestão, não uma promessa de resultado.
Comparar o antes e o depois é o caminho mais honesto. Sem uma linha de base, qualquer ganho é impressão. Os indicadores se encaixam no que descrevemos em auditoria em centro cirúrgico.
Perguntas para fazer antes de comparar propostas
Ao avaliar um fornecedor de anestesia, vale ir além do valor da hora. Algumas perguntas ajudam a comparar propostas de forma justa:
- Quem é responsável pela escala e pela substituição quando há falta?
- Como a cobertura é garantida em feriados, finais de semana e plantões noturnos?
- Existe avaliação pré-anestésica com antecedência para cirurgias eletivas?
- Quais indicadores o fornecedor reporta, e com que frequência?
- Há protocolos padronizados que podem ser auditados?
Essas respostas dizem mais sobre o custo real do que a diferença de alguns reais na hora. Um roteiro completo de contratação está em como contratar serviço de anestesia.
O limite de reduzir custo
Há um ponto que precisa ficar claro: reduzir custo não pode significar reduzir cobertura ou qualificação. Anestesia é um serviço em que a segurança do paciente vem primeiro, e a economia que enfraquece a equipe costuma sair mais cara adiante.
O objetivo, portanto, é eliminar desperdício, e não cortar recurso essencial. A diferença está nos dados: o que se corta deve ser aquilo que o indicador mostra que não gera valor.
A AMD Anestesia tem mais de 50 anos de atuação, mais de 70 anestesiologistas e acreditação Qmentum Diamond desde 2019.
A conversa com os hospitais parceiros parte de indicadores como cobertura de escala, início da primeira cirurgia e suspensões. Conheça a gestão de serviços de anestesiologia da AMD.
Perguntas frequentes
Não. O resultado depende do modelo, da cobertura e dos indicadores acompanhados. Por isso a comparação deve usar a linha de base do próprio hospital, e não promessas genéricas.
É o mais visível, mas não necessariamente o mais relevante. Atrasos, suspensões, escala improvisada e desperdício também pesam, e cada hospital precisa medi-los com dados próprios.
Comece pelos mais simples: início da primeira cirurgia no horário, taxa de suspensão por motivo, cobertura de escala e tempo médio na SRPA. Eles já mostram onde há mais perda.
O próximo passo
Antes de renegociar valores, meça. Com três ou quatro indicadores e alguns meses de histórico, a diretoria passa a discutir custo com fatos.
Se o seu hospital quer conversar sobre como a gestão anestésica pode entrar nesse acompanhamento, a AMD Anestesia está disponível para conversar.
Fontes
- Macario A. What does one minute of operating room time cost? J Clin Anesth, 2010. PDF
- AORN. Reducing First-Case Start Time Delays. AORN
- Evaluation of wastage of commonly used anaesthetic agents in the operating theatres of a South African teaching hospital. S Afr Med J, 2025. SAMJ
- Cancellation of elective surgeries in a Brazilian public hospital: reasons and estimated reduction. Rev Bras Enferm, 2017. SciELO



