Qualidade e acreditação

ONA ou Qmentum: qual acreditação faz mais sentido para o seu hospital?

As diferenças entre os dois programas, como cada um evolui em níveis e o que a diretoria deve observar ao escolher.

9 min de leituraVerificado por AMD Anestesia
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  • ONA e Qmentum são programas independentes de acreditação: o primeiro nasceu no Brasil, o segundo vem do Canadá e é aplicado no país pela QGA.
  • A ONA organiza a evolução em três níveis (Acreditado, Pleno e Excelência); o Qmentum, em Gold, Platinum e Diamond, o mais alto.
  • Não é uma escolha excludente: o melhor caminho depende do momento do hospital, de seus parceiros e de suas metas.

A diretoria recebe duas propostas de consultoria. Uma fala em ONA, a outra em Qmentum. Na reunião, alguém pergunta qual das duas é a melhor.

A pergunta é comum e quase sempre mal formulada.

Os dois programas existem para o mesmo fim: submeter o hospital a uma avaliação externa e independente, com padrões claros e verificação periódica. Mudam a origem, a escala de reconhecimento e a lógica de cada um.

Entender essas diferenças evita decisões baseadas em modismo e ajuda a escolher parceiros, inclusive o de anestesia, com mais critério.

Este texto compara os dois programas com base em fontes oficiais e mostra como a diretoria pode usar essa informação na prática.

O que a acreditação faz, de fato

Acreditação é um processo voluntário em que uma organização independente avalia o hospital contra padrões de qualidade e segurança.

O selo não é um prêmio de uma vez só. Ele depende de ciclos de avaliação, de visitas de manutenção e da capacidade de provar, com dados e rotinas, que o hospital mantém o que declara.

Para a gestão, o ganho é duplo: um mapa objetivo de onde o hospital está e um sinal de confiança para pacientes, operadoras, cirurgiões e parceiros.

Por isso a acreditação costuma ser considerada na hora de escolher quem presta serviços dentro do centro cirúrgico.

ONA: o sistema brasileiro

A Organização Nacional de Acreditação (ONA) é uma entidade brasileira, constituída em 1º de junho de 1999 e reconhecida pelo Ministério da Saúde em 2001. Ela gere o Sistema Brasileiro de Acreditação, em que a avaliação é feita por instituições acreditadoras credenciadas em todo o país.

A marca da ONA é a progressão em três níveis.

  • Nível 1, Acreditado: o hospital atende aos critérios de segurança em todas as áreas, da estrutura à assistência.
  • Nível 2, Acreditado Pleno: soma-se a gestão integrada, com processos fluidos e boa comunicação entre as atividades.
  • Nível 3, Acreditado com Excelência: a instituição demonstra uma cultura madura de melhoria contínua.

A validade é de dois anos nos níveis 1 e 2 e de três anos no nível 3, com visitas de manutenção entre os ciclos.

O manual da ONA é revisado a cada quatro anos, aproximadamente. As edições de 2014 e de 2018 foram certificadas pela ISQua, organização internacional que avalia os próprios programas de acreditação.

Outro dado relevante para quem negocia com operadoras: desde agosto de 2023, os níveis 1 e 2 aparecem no buscador Qualiss, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com os dados enviados pela própria ONA.

Qmentum: o padrão internacional

O Qmentum International nasceu no Canadá, vinculado à Accreditation Canada. Ele avalia protocolos, indicadores, segurança do paciente e cultura de qualidade em ciclos periódicos.

No Brasil, a metodologia é aplicada pela QGA, que atua como acreditadora e implementadora desses padrões desde 2006. A QGA informa experiência em mais de 40 países e em mais de 20 mil instituições de saúde.

O programa reconhece as organizações em três níveis: Gold, Platinum e Diamond. O Diamond é o mais alto.

Para a anestesia, o ponto central é que o programa examina protocolos e indicadores em ciclos periódicos de auditoria, e não em uma visita isolada. Se quiser aprofundar o tema, o artigo Qmentum Diamond na anestesia: o que muda para o hospital parceiro detalha o que isso significa para um hospital que contrata um grupo certificado.

As diferenças, lado a lado

O quadro abaixo resume o que há de mais objetivo em cada programa, a partir das fontes citadas.

ONA
Qmentum International
Origem
Brasil. Constituída em 1999 e reconhecida pelo Ministério da Saúde em 2001.
Canadá, vinculado à Accreditation Canada.
No Brasil
Instituições acreditadoras credenciadas pela própria ONA.
Aplicado pela QGA, desde 2006.
Níveis
1 Acreditado, 2 Acreditado Pleno, 3 Acreditado com Excelência.
Gold, Platinum e Diamond (o mais alto).
Validade
2 anos (níveis 1 e 2) e 3 anos (nível 3), com visitas de manutenção.
Em ciclos periódicos de avaliação, definidos pelo programa.
Reconhecimento
Níveis 1 e 2 visíveis no Qualiss da ANS desde agosto de 2023.
Referência internacional, com atuação em dezenas de países.

Qual caminho combina com o momento do seu hospital?

Não existe resposta única. O que existe é a pergunta certa: o que o hospital precisa conquistar agora? Escolha uma das situações abaixo para ver como a decisão costuma ser pensada.

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Seu objetivo hoje

Orientação geral de gestão. Cada hospital deve avaliar prazos, custos e requisitos com a própria acreditadora.

Não precisa ser ONA ou Qmentum

São programas independentes, e um hospital pode adotar um, outro ou os dois.

O caminho pode ser progressivo: começa-se pela estruturação básica, consolida-se a gestão e, quando a maturidade permite, busca-se um reconhecimento internacional.

O ponto mais importante é a coerência. De nada serve um selo na parede se os serviços críticos, como a anestesia, operam sem protocolos, sem indicadores e sem revisão.

É nesse ponto que a escolha do parceiro anestésico entra na estratégia de qualidade. Um grupo que já opera sob auditoria externa traz para dentro do centro cirúrgico rotinas, comitês e medições que o hospital poderá apresentar a qualquer avaliador.

O guia Gestão anestésica externa em São Paulo explica como esse modelo funciona, e o artigo Governança clínica no centro cirúrgico mostra como os padrões internacionais se traduzem na rotina.

Para ver onde a acreditação atua na segurança do paciente, etapa por etapa, leia Como a acreditação ajuda a reduzir eventos adversos.

O que perguntar ao parceiro de anestesia

Seja qual for o programa do hospital, estas cinco perguntas ajudam a separar o parceiro que apenas cita a acreditação daquele que a vive no dia a dia.

  1. Qual acreditação o grupo possui? Peça o certificado, confira o programa, o nível, a validade e a abrangência.
  2. O que foi avaliado? Verifique se o escopo inclui a anestesia e o centro cirúrgico, e não apenas outros setores.
  3. Quais indicadores o grupo acompanha? Cancelamentos por causa anestésica, início pontual da primeira cirurgia e eventos adversos devem ter relatório periódico.
  4. Há comitês e rotinas de revisão? Protocolos vivos têm responsáveis, datas de revisão e registro de mudanças.
  5. Como o grupo apoia a acreditação do hospital? Um bom parceiro ajuda a preparar evidências e participa das visitas de avaliação.

Perguntas frequentes

Qual é melhor, ONA ou Qmentum?
Nenhum é melhor em termos absolutos. São programas independentes, com origens e escalas de reconhecimento diferentes. A escolha depende do momento do hospital, dos parceiros e das metas de reconhecimento nacional ou internacional.

Um hospital pode ter ONA e Qmentum ao mesmo tempo?
Pode. Os programas são independentes, e há instituições que combinam os dois. O que muda é o esforço de gestão para manter os dois ciclos de avaliação.

Quanto tempo vale a acreditação ONA?
Dois anos nos níveis 1 e 2 e três anos no nível 3, com visitas de manutenção ao longo do período, segundo a própria ONA.

O Diamond é o nível mais alto do Qmentum?
Sim. O Qmentum International reconhece organizações em Gold, Platinum e Diamond, e o Diamond é o nível mais alto do programa.

Na prática AMD

Há mais de 50 anos, a AMD Anestesia atua em São Paulo com equipe de mais de 70 anestesiologistas.

Desde 2019, é certificada no nível Diamond do Qmentum International, o mais alto do programa. Protocolos, indicadores e governança da AMD passam por auditoria externa de padrão internacional, e essa estrutura é levada aos hospitais parceiros.

Para quem já tem ou busca acreditação, seja ONA ou Qmentum, contar com um parceiro anestésico que opera nesse padrão simplifica a preparação de evidências e dá previsibilidade ao centro cirúrgico.

O próximo passo

Comparar ONA e Qmentum é útil, mas a decisão que mais interessa à diretoria é prática: como cada serviço do hospital, a começar pelos críticos, sustenta o nível de qualidade que a instituição quer demonstrar.

Com critérios claros e parceiros que se submetem à auditoria de terceiros, a acreditação deixa de ser um evento e vira rotina.

Quer entender como isso funciona na prática? Conheça a AMD Anestesia e a nossa página sobre a certificação Qmentum.

A equipe da AMD está disponível para uma conversa institucional, sem compromisso, sobre o cenário do seu hospital.

Verificado por AMD AnestesiaConteúdo verificado pela AMD Anestesia. Informativo; não substitui avaliação clínica individual.

Fontes

  1. ONA. Sistema Brasileiro de Acreditação, resumo institucional. ona.org.br
  2. Medicina S/A. Estabelecimentos com níveis 1 e 2 da ONA já podem ser identificados no buscador Qualiss. medicinasa.com.br
  3. QGA Quality Global Alliance. Institucional. qga.global/institucional
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