- ONA e Qmentum são programas independentes de acreditação: o primeiro nasceu no Brasil, o segundo vem do Canadá e é aplicado no país pela QGA.
- A ONA organiza a evolução em três níveis (Acreditado, Pleno e Excelência); o Qmentum, em Gold, Platinum e Diamond, o mais alto.
- Não é uma escolha excludente: o melhor caminho depende do momento do hospital, de seus parceiros e de suas metas.
A diretoria recebe duas propostas de consultoria. Uma fala em ONA, a outra em Qmentum. Na reunião, alguém pergunta qual das duas é a melhor.
A pergunta é comum e quase sempre mal formulada.
Os dois programas existem para o mesmo fim: submeter o hospital a uma avaliação externa e independente, com padrões claros e verificação periódica. Mudam a origem, a escala de reconhecimento e a lógica de cada um.
Entender essas diferenças evita decisões baseadas em modismo e ajuda a escolher parceiros, inclusive o de anestesia, com mais critério.
Este texto compara os dois programas com base em fontes oficiais e mostra como a diretoria pode usar essa informação na prática.
O que a acreditação faz, de fato
Acreditação é um processo voluntário em que uma organização independente avalia o hospital contra padrões de qualidade e segurança.
O selo não é um prêmio de uma vez só. Ele depende de ciclos de avaliação, de visitas de manutenção e da capacidade de provar, com dados e rotinas, que o hospital mantém o que declara.
Para a gestão, o ganho é duplo: um mapa objetivo de onde o hospital está e um sinal de confiança para pacientes, operadoras, cirurgiões e parceiros.
Por isso a acreditação costuma ser considerada na hora de escolher quem presta serviços dentro do centro cirúrgico.
ONA: o sistema brasileiro
A Organização Nacional de Acreditação (ONA) é uma entidade brasileira, constituída em 1º de junho de 1999 e reconhecida pelo Ministério da Saúde em 2001. Ela gere o Sistema Brasileiro de Acreditação, em que a avaliação é feita por instituições acreditadoras credenciadas em todo o país.
A marca da ONA é a progressão em três níveis.
- Nível 1, Acreditado: o hospital atende aos critérios de segurança em todas as áreas, da estrutura à assistência.
- Nível 2, Acreditado Pleno: soma-se a gestão integrada, com processos fluidos e boa comunicação entre as atividades.
- Nível 3, Acreditado com Excelência: a instituição demonstra uma cultura madura de melhoria contínua.
A validade é de dois anos nos níveis 1 e 2 e de três anos no nível 3, com visitas de manutenção entre os ciclos.
O manual da ONA é revisado a cada quatro anos, aproximadamente. As edições de 2014 e de 2018 foram certificadas pela ISQua, organização internacional que avalia os próprios programas de acreditação.
Outro dado relevante para quem negocia com operadoras: desde agosto de 2023, os níveis 1 e 2 aparecem no buscador Qualiss, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com os dados enviados pela própria ONA.
Qmentum: o padrão internacional
O Qmentum International nasceu no Canadá, vinculado à Accreditation Canada. Ele avalia protocolos, indicadores, segurança do paciente e cultura de qualidade em ciclos periódicos.
No Brasil, a metodologia é aplicada pela QGA, que atua como acreditadora e implementadora desses padrões desde 2006. A QGA informa experiência em mais de 40 países e em mais de 20 mil instituições de saúde.
O programa reconhece as organizações em três níveis: Gold, Platinum e Diamond. O Diamond é o mais alto.
Para a anestesia, o ponto central é que o programa examina protocolos e indicadores em ciclos periódicos de auditoria, e não em uma visita isolada. Se quiser aprofundar o tema, o artigo Qmentum Diamond na anestesia: o que muda para o hospital parceiro detalha o que isso significa para um hospital que contrata um grupo certificado.
As diferenças, lado a lado
O quadro abaixo resume o que há de mais objetivo em cada programa, a partir das fontes citadas.
Qual caminho combina com o momento do seu hospital?
Não existe resposta única. O que existe é a pergunta certa: o que o hospital precisa conquistar agora? Escolha uma das situações abaixo para ver como a decisão costuma ser pensada.
Seu objetivo hoje
Orientação geral de gestão. Cada hospital deve avaliar prazos, custos e requisitos com a própria acreditadora.
Não precisa ser ONA ou Qmentum
São programas independentes, e um hospital pode adotar um, outro ou os dois.
O caminho pode ser progressivo: começa-se pela estruturação básica, consolida-se a gestão e, quando a maturidade permite, busca-se um reconhecimento internacional.
O ponto mais importante é a coerência. De nada serve um selo na parede se os serviços críticos, como a anestesia, operam sem protocolos, sem indicadores e sem revisão.
É nesse ponto que a escolha do parceiro anestésico entra na estratégia de qualidade. Um grupo que já opera sob auditoria externa traz para dentro do centro cirúrgico rotinas, comitês e medições que o hospital poderá apresentar a qualquer avaliador.
O guia Gestão anestésica externa em São Paulo explica como esse modelo funciona, e o artigo Governança clínica no centro cirúrgico mostra como os padrões internacionais se traduzem na rotina.
Para ver onde a acreditação atua na segurança do paciente, etapa por etapa, leia Como a acreditação ajuda a reduzir eventos adversos.
O que perguntar ao parceiro de anestesia
Seja qual for o programa do hospital, estas cinco perguntas ajudam a separar o parceiro que apenas cita a acreditação daquele que a vive no dia a dia.
- Qual acreditação o grupo possui? Peça o certificado, confira o programa, o nível, a validade e a abrangência.
- O que foi avaliado? Verifique se o escopo inclui a anestesia e o centro cirúrgico, e não apenas outros setores.
- Quais indicadores o grupo acompanha? Cancelamentos por causa anestésica, início pontual da primeira cirurgia e eventos adversos devem ter relatório periódico.
- Há comitês e rotinas de revisão? Protocolos vivos têm responsáveis, datas de revisão e registro de mudanças.
- Como o grupo apoia a acreditação do hospital? Um bom parceiro ajuda a preparar evidências e participa das visitas de avaliação.
1. Emissor. Confirme quem emitiu e se a acreditadora é reconhecida pelo programa.
2. Nível. Na ONA, nível 1, 2 ou 3. No Qmentum, Gold, Platinum ou Diamond. Níveis diferentes comunicam graus diferentes de maturidade.
3. Validade. Confira as datas. Acreditação vencida ou em renovação é uma informação que a diretoria precisa conhecer.
4. Abrangência. Veja se o certificado cobre toda a instituição ou apenas parte dela, e se a anestesia está incluída.
Perguntas frequentes
Qual é melhor, ONA ou Qmentum?
Nenhum é melhor em termos absolutos. São programas independentes, com origens e escalas de reconhecimento diferentes. A escolha depende do momento do hospital, dos parceiros e das metas de reconhecimento nacional ou internacional.
Um hospital pode ter ONA e Qmentum ao mesmo tempo?
Pode. Os programas são independentes, e há instituições que combinam os dois. O que muda é o esforço de gestão para manter os dois ciclos de avaliação.
Quanto tempo vale a acreditação ONA?
Dois anos nos níveis 1 e 2 e três anos no nível 3, com visitas de manutenção ao longo do período, segundo a própria ONA.
O Diamond é o nível mais alto do Qmentum?
Sim. O Qmentum International reconhece organizações em Gold, Platinum e Diamond, e o Diamond é o nível mais alto do programa.
Há mais de 50 anos, a AMD Anestesia atua em São Paulo com equipe de mais de 70 anestesiologistas.
Desde 2019, é certificada no nível Diamond do Qmentum International, o mais alto do programa. Protocolos, indicadores e governança da AMD passam por auditoria externa de padrão internacional, e essa estrutura é levada aos hospitais parceiros.
Para quem já tem ou busca acreditação, seja ONA ou Qmentum, contar com um parceiro anestésico que opera nesse padrão simplifica a preparação de evidências e dá previsibilidade ao centro cirúrgico.
O próximo passo
Comparar ONA e Qmentum é útil, mas a decisão que mais interessa à diretoria é prática: como cada serviço do hospital, a começar pelos críticos, sustenta o nível de qualidade que a instituição quer demonstrar.
Com critérios claros e parceiros que se submetem à auditoria de terceiros, a acreditação deixa de ser um evento e vira rotina.
Quer entender como isso funciona na prática? Conheça a AMD Anestesia e a nossa página sobre a certificação Qmentum.
A equipe da AMD está disponível para uma conversa institucional, sem compromisso, sobre o cenário do seu hospital.
Fontes
- ONA. Sistema Brasileiro de Acreditação, resumo institucional. ona.org.br
- Medicina S/A. Estabelecimentos com níveis 1 e 2 da ONA já podem ser identificados no buscador Qualiss. medicinasa.com.br
- QGA Quality Global Alliance. Institucional. qga.global/institucional
