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Driving pressure e Ventilação monopulmonar

Em 2021, durante o COPA – Congresso Paulista de Anestesiologia, o Dr. David Ferez, médico da AMD, participou da programação científica com aulas sobre driving pressure e ventilação monopulmonar. O registro faz parte da participação da AMD em um dos principais encontros da anestesiologia paulista daquele período.

Os dois temas estão diretamente relacionados à ventilação mecânica durante a anestesia e ao desafio de manter uma estratégia respiratória adequada em procedimentos de maior complexidade.

O que é driving pressure?

A driving pressure, também chamada de pressão de distensão ou pressão motriz, é um parâmetro utilizado na ventilação mecânica para representar a diferença entre a pressão de platô e a PEEP.

Ela ajuda o anestesiologista a compreender quanto de pressão está sendo aplicado ao sistema respiratório para gerar determinado volume corrente.

Na prática, esse parâmetro ganhou importância porque pode ajudar a orientar estratégias de ventilação protetora durante a anestesia.

Por que a driving pressure é importante?

Durante uma cirurgia sob anestesia geral, a ventilação mecânica precisa ser ajustada de forma a manter trocas gasosas adequadas e, ao mesmo tempo, evitar sobrecarga excessiva sobre os pulmões.

Uma driving pressure elevada pode indicar maior distensão do sistema respiratório e está associada, em diferentes estudos, a maior risco de complicações pulmonares pós-operatórias.

Por isso, o parâmetro passou a ocupar espaço crescente nas discussões sobre ventilação mecânica protetora no intraoperatório. Materiais voltados à prática anestésica destacam justamente a importância de observar volume corrente, PEEP, pressão de platô e driving pressure de forma integrada.

O que é ventilação mecânica protetora?

A ventilação protetora busca reduzir o risco de lesões pulmonares relacionadas à própria ventilação mecânica.

Em anestesiologia, essa estratégia pode envolver:

  • volumes correntes mais baixos;
  • controle da pressão de platô;
  • ajuste individualizado da PEEP;
  • atenção à driving pressure;
  • manobras de recrutamento quando indicadas;
  • acompanhamento contínuo da mecânica respiratória.

O objetivo não é seguir uma fórmula única para todos os pacientes, mas ajustar a ventilação conforme as características clínicas e o tipo de procedimento.

Driving pressure deve ser analisada isoladamente?

Não.

Embora seja um parâmetro relevante, a driving pressure precisa ser interpretada dentro do conjunto de informações ventilatórias.

Pressão de platô, PEEP, volume corrente, complacência e oxigenação também precisam ser avaliados.

A ideia central é que a ventilação seja individualizada e que o anestesiologista acompanhe continuamente a resposta do paciente aos ajustes realizados.

O que é ventilação monopulmonar?

A ventilação monopulmonar é uma técnica utilizada em determinados procedimentos, especialmente cirurgias torácicas, em que um dos pulmões é temporariamente excluído da ventilação enquanto o outro permanece ventilado.

Isso permite ao cirurgião trabalhar com maior espaço no lado operado.

Do ponto de vista anestésico, porém, essa situação aumenta a complexidade do manejo respiratório.

Por que a ventilação monopulmonar é desafiadora?

Quando apenas um pulmão está sendo ventilado, toda a troca gasosa precisa ser mantida por uma área pulmonar menor.

Isso pode provocar alterações importantes na oxigenação e na mecânica respiratória.

Além disso, o pulmão ventilado pode ficar mais sujeito a:

  • sobrecarga de volume;
  • aumento de pressão;
  • distensão alveolar;
  • alterações da relação ventilação-perfusão.

Por isso, a estratégia de ventilação precisa ser cuidadosamente ajustada.

Qual é a relação entre driving pressure e ventilação monopulmonar?

Essa relação é justamente um dos pontos mais importantes.

Durante a ventilação monopulmonar, a complacência do sistema respiratório pode mudar significativamente.

Com isso, os mesmos volumes correntes utilizados em uma ventilação convencional podem gerar pressões maiores.

Acompanhando a driving pressure, o anestesiologista pode avaliar de forma mais precisa o impacto da ventilação sobre o pulmão que permanece ativo.

Esse tipo de monitorização ajuda a ajustar parâmetros e reduzir a exposição a pressões excessivas.

Como o anestesiologista ajusta a ventilação nesses casos?

A estratégia depende do paciente, do procedimento e da resposta respiratória observada.

Podem ser considerados fatores como:

  • volume corrente;
  • PEEP;
  • frequência respiratória;
  • pressão de platô;
  • driving pressure;
  • oxigenação;
  • concentração de dióxido de carbono;
  • condição hemodinâmica.

Durante ventilação monopulmonar, esses parâmetros podem precisar de ajustes frequentes.

A ventilação monopulmonar é usada apenas em cirurgia pulmonar?

Ela é mais comum em procedimentos torácicos, mas pode ser necessária sempre que o cirurgião precise que um dos pulmões permaneça temporariamente sem ventilação para melhorar o acesso ao campo operatório.

Isso pode ocorrer em cirurgias pulmonares, esofágicas, mediastinais e outras intervenções torácicas.

A indicação depende da técnica cirúrgica e do planejamento anestésico.

Por que a oxigenação pode cair?

Quando um pulmão deixa de ser ventilado, parte do sangue continua circulando por ele.

Isso pode gerar um desequilíbrio entre ventilação e perfusão e levar à redução da oxigenação.

O organismo possui mecanismos compensatórios, mas nem sempre eles são suficientes.

Por isso, a monitorização contínua é fundamental durante a ventilação monopulmonar.

O papel da PEEP

A PEEP ajuda a manter unidades alveolares abertas ao final da expiração.

Em determinados pacientes, seu ajuste pode contribuir para melhorar a oxigenação e a mecânica respiratória.

Por outro lado, PEEP excessiva também pode aumentar pressões e provocar hiperinsuflação.

Por isso, o valor precisa ser individualizado.

O objetivo é encontrar um equilíbrio entre manter o pulmão recrutado e evitar distensão excessiva.

O papel da complacência pulmonar

A complacência representa a facilidade com que o sistema respiratório se expande.

Durante ventilação monopulmonar, alterações de posição, cirurgia e redução da área ventilada podem modificar essa característica.

Quando a complacência diminui, a mesma quantidade de ar pode gerar pressões maiores.

Por isso, acompanhar a mecânica pulmonar ajuda o anestesiologista a ajustar a estratégia ventilatória.

Ventilação e proteção pulmonar caminham juntas

Hoje, a ventilação mecânica no intraoperatório não é vista apenas como uma forma de “fazer o paciente respirar”.

Ela faz parte de uma estratégia de proteção pulmonar.

Isso envolve reduzir volumes e pressões excessivas, evitar colapso alveolar quando possível e ajustar os parâmetros conforme a resposta de cada paciente.

É nesse contexto que conceitos como driving pressure ganharam tanta relevância na anestesiologia contemporânea.

Por que esses temas foram discutidos no COPA 2021?

A presença de temas como driving pressure e ventilação monopulmonar no Congresso Paulista de Anestesiologia mostra como a ventilação mecânica se tornou um campo cada vez mais importante dentro da prática anestésica.

Essas discussões ajudam a transformar evidências científicas em decisões aplicáveis ao centro cirúrgico.

A participação do Dr. David Ferez reforçou a presença da AMD nesse tipo de debate técnico e científico.

Um registro importante da atuação científica da AMD

A participação no COPA 2021 integra o histórico da AMD em atividades científicas e educacionais relacionadas à anestesiologia.

Ao abordar temas como driving pressure e ventilação monopulmonar, a AMD esteve presente em uma discussão diretamente ligada à segurança respiratória do paciente durante procedimentos complexos.

Esse tipo de conteúdo mostra que a anestesiologia vai muito além da administração de medicamentos: envolve fisiologia, monitorização, ventilação, tomada de decisão e capacidade de adaptação contínua.

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