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Artigo publicado na Revista Brasileira de Dor

Capa tipográfica do artigo "Artigo publicado na Revista Brasileira de Dor", com o selo Verificado por AMD Anestesia e um traçado de eletrocardiograma.

Recebemos uma boa dose de orgulho.

Em 2018, foi publicado na Brazilian Journal of Pain (BrJP) um artigo produzido com participação de médicos ligados à AMD, incluindo o então residente Ricardo Kenithi Nakamura.

O trabalho, intitulado “Bloqueio do plano eretor espinhal para analgesia perioperatória em cirurgia cardíaca. Relato de caso”, foi assinado por Ricardo Kenithi Nakamura, Felipe Chiodini Machado e Leonardo Sérgio Rocha Novais e publicado no volume 1, número 4, páginas 369 a 371.

A publicação abordou o uso do bloqueio do plano eretor da espinha, conhecido pela sigla ESPB, como estratégia de analgesia perioperatória em uma paciente submetida a cirurgia cardíaca.

O que é o bloqueio do plano eretor da espinha?

O bloqueio do plano eretor da espinha é uma técnica de anestesia regional na qual o anestésico local é administrado em um plano anatômico próximo ao músculo eretor da espinha.

A proposta é atuar sobre a transmissão da dor em determinadas regiões do tórax e do tronco.

Na época da publicação, a técnica era relativamente recente e vinha despertando interesse por seu potencial uso em:

  • analgesia torácica;
  • dor aguda após cirurgias;
  • dor pós-traumática;
  • determinados quadros de dor neuropática;
  • estratégias de analgesia perioperatória.

O próprio artigo da equipe descreveu o bloqueio como uma alternativa promissora para analgesia regional, embora ressaltasse que mais estudos seriam necessários para estabelecer melhor sua eficácia e segurança em diferentes procedimentos cardíacos e aórticos.

Qual foi o caso apresentado no artigo?

O trabalho publicado na BrJP foi um relato de caso.

A paciente tinha 72 anos e foi submetida a uma cirurgia de troca valvar aórtica.

A anestesia geral foi associada ao bloqueio do plano eretor da espinha como parte da estratégia para controle da dor no período perioperatório.

O objetivo dos autores foi demonstrar a aplicação da técnica nesse contexto e discutir seu possível papel dentro de uma estratégia de analgesia regional para cirurgia cardíaca.

Por que o controle da dor é importante em cirurgia cardíaca?

Procedimentos cardíacos podem produzir dor significativa no período pós-operatório, especialmente quando envolvem esternotomia.

O controle adequado da dor não se resume ao conforto.

Dor intensa pode dificultar a respiração profunda, tosse, mobilização e participação do paciente em diferentes etapas da recuperação.

Por isso, estratégias de analgesia fazem parte do planejamento perioperatório e podem envolver diferentes medicamentos e técnicas regionais.

É nesse contexto que bloqueios como o ESPB passaram a ser estudados.

O que é analgesia multimodal?

A analgesia multimodal utiliza diferentes medicamentos e técnicas com mecanismos de ação distintos dentro de uma mesma estratégia de controle da dor.

Em vez de depender exclusivamente de uma única classe de medicamentos, a equipe pode combinar diferentes abordagens conforme o procedimento e as condições clínicas do paciente.

No artigo publicado pela equipe, o bloqueio do plano eretor da espinha foi utilizado justamente como componente de uma estratégia de analgesia multimodal perioperatória.

O bloqueio do plano eretor substitui a anestesia geral?

Não.

No relato publicado, a paciente foi submetida à anestesia geral e o bloqueio foi utilizado como uma técnica complementar para o manejo da dor.

Essa diferenciação é importante.

A anestesia geral permite a realização do procedimento cirúrgico dentro das condições anestésicas planejadas, enquanto o bloqueio regional pode integrar a estratégia analgésica.

As técnicas podem, portanto, ser complementares.

Por que esse tipo de técnica ganhou interesse?

A anestesiologia tem buscado continuamente estratégias capazes de aprimorar o controle da dor no período perioperatório.

Técnicas regionais podem permitir atuação mais direcionada sobre determinadas vias de transmissão da dor e fazer parte de protocolos de recuperação cirúrgica.

Desde a publicação do relato da equipe em 2018, o ESPB continuou sendo estudado em cirurgia cardíaca.

Revisões posteriores encontraram resultados promissores para redução de dor pós-operatória e consumo de opioides, embora também ressaltem heterogeneidade entre os estudos e necessidade de evidências mais robustas antes de recomendar seu uso de forma rotineira em todos os pacientes.

Produção científica também faz parte da anestesiologia

A publicação de um artigo científico representa muito mais do que divulgar uma experiência clínica.

Relatos de caso, estudos clínicos e revisões ajudam a compartilhar conhecimento, levantar novas hipóteses e estimular a investigação de técnicas que podem contribuir para a evolução da assistência.

No caso deste trabalho, a experiência com o bloqueio do plano eretor da espinha em cirurgia cardíaca foi registrada em um periódico dedicado ao estudo da dor aguda e crônica, ampliando a discussão científica sobre analgesia perioperatória.

O papel da pesquisa na prática clínica

A medicina evolui a partir da combinação entre experiência assistencial e produção de evidências.

Uma técnica inicialmente descrita em relatos de caso pode posteriormente ser avaliada em estudos maiores, ensaios clínicos e revisões sistemáticas.

Foi exatamente o que aconteceu com o bloqueio do plano eretor da espinha.

Anos depois do artigo publicado pela equipe, estudos envolvendo pacientes submetidos a cirurgias cardíacas continuaram analisando o potencial da técnica no controle da dor e na recuperação pós-operatória.

Isso mostra como a produção científica pode participar de um processo contínuo de construção do conhecimento.

Um marco científico na trajetória da AMD

A publicação na Brazilian Journal of Pain representou um registro importante da participação de profissionais ligados à AMD na produção científica relacionada à anestesiologia e ao controle da dor.

O artigo reuniu temas que permanecem centrais para a especialidade: analgesia perioperatória, anestesia regional, cirurgia cardíaca e estratégias multimodais de controle da dor.

Mais do que motivo de orgulho naquele momento, a publicação passou a integrar o histórico científico da AMD e reforçou a presença de seus médicos em discussões voltadas à evolução da prática anestesiológica.

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