O congresso Be Pain Free – Expert Session, realizado em Miami, reuniu especialistas para discutir diferentes estratégias relacionadas ao tratamento da dor, com destaque para dor pós-operatória, analgesia multimodal, dor lombar crônica e neuropatia diabética.
A AMD esteve representada pelo Dr. Felipe Chiodini, então coordenador do Núcleo de Dor da AMD, que participou das discussões e também atuou como palestrante durante o workshop sobre analgesia multimodal.
O encontro trouxe atualizações importantes para a prática clínica e ampliou a discussão sobre diferentes formas de compreender e tratar a dor, especialmente em contextos nos quais uma única abordagem terapêutica pode não ser suficiente.
Dor pós-operatória: por que esse tema merece atenção?
A dor pós-operatória foi um dos principais assuntos discutidos durante o congresso.
Ela pode ocorrer após procedimentos cirúrgicos de diferentes portes e intensidades e precisa ser avaliada de forma individualizada.
O tipo de cirurgia, as condições clínicas do paciente, a intensidade da dor esperada, o histórico de uso de medicamentos e a resposta individual ao tratamento são alguns dos fatores que podem interferir no planejamento analgésico.
Por isso, o controle da dor após uma cirurgia não deve ser entendido como uma medida isolada, mas como parte de uma estratégia perioperatória mais ampla.
Durante o Be Pain Free – Expert Session, foram apresentadas técnicas e abordagens aplicáveis a cirurgias de diferentes complexidades, com foco em estratégias capazes de contribuir para um controle mais adequado da dor no período pós-operatório.
O que é analgesia multimodal?
Um dos principais destaques do congresso foi a analgesia multimodal.
Essa estratégia combina medicamentos e/ou técnicas com mecanismos de ação diferentes, em vez de depender exclusivamente de um único fármaco em doses elevadas.
Na prática, isso permite construir um plano de controle da dor mais abrangente e ajustado às necessidades de cada paciente.
A lógica da analgesia multimodal está justamente em atuar em diferentes vias relacionadas à percepção da dor, buscando um efeito complementar entre as estratégias utilizadas.
Durante o workshop dedicado ao tema, o Dr. Felipe Chiodini representou a AMD também como palestrante.
Por que a analgesia multimodal ganhou espaço no cuidado perioperatório?
A analgesia multimodal passou a ocupar um papel importante em protocolos contemporâneos de cuidado perioperatório porque permite combinar diferentes recursos dentro de uma mesma estratégia.
Dependendo do caso, podem ser utilizadas associações entre analgésicos de classes distintas, anti-inflamatórios, técnicas regionais e outras medidas terapêuticas.
O objetivo não é simplesmente “usar mais medicamentos”, mas escolher abordagens complementares de forma racional.
A decisão precisa considerar o procedimento, as condições clínicas do paciente, os potenciais riscos e benefícios de cada recurso e a resposta esperada ao tratamento.
Por isso, o planejamento da analgesia precisa ser individualizado.
Dor lombar crônica: nem toda dor tem a mesma origem
Outro tema abordado no Be Pain Free – Expert Session foi a dor lombar crônica.
O congresso reforçou um ponto importante: dor na região lombar não significa necessariamente que o paciente tenha apenas hérnia de disco ou comprometimento do nervo ciático.
Existem diferentes causas possíveis para esse tipo de dor, e identificar sua origem é uma etapa fundamental para definir a melhor abordagem terapêutica.
Essa avaliação exige análise clínica cuidadosa, levando em consideração características da dor, duração, fatores que agravam ou aliviam os sintomas e possíveis alterações associadas.
A atuação do médico dedicado ao tratamento da dor pode ser importante justamente para investigar essas diferentes possibilidades e organizar uma estratégia terapêutica adequada.
Por que identificar a origem da dor é tão importante?
Tratar apenas o sintoma sem compreender sua possível origem pode limitar os resultados terapêuticos.
A dor lombar, por exemplo, pode estar associada a estruturas musculares, articulares, nervosas ou a diferentes alterações da coluna.
Por isso, uma das mensagens reforçadas durante o congresso foi a importância de evitar generalizações.
O diagnóstico adequado permite escolher estratégias de tratamento mais coerentes com o quadro apresentado por cada paciente.
Essa mesma lógica se aplica a outras condições relacionadas à dor: antes de definir a terapia, é necessário compreender o contexto clínico.
Neuropatia diabética também foi tema do congresso
A neuropatia diabética foi outro assunto discutido durante o encontro em Miami.
Essa condição pode ocorrer em pessoas com diabetes e está relacionada ao comprometimento dos nervos, podendo provocar sintomas como dor, sensação de queimação, formigamento ou alterações de sensibilidade.
Durante o congresso, foram apresentadas atualizações relacionadas ao tratamento dessa condição e à assistência aos pacientes que apresentam dor neuropática.
O debate também reforçou a importância do controle adequado do diabetes como parte da prevenção de complicações relacionadas à doença.
Dor neuropática exige uma abordagem específica
A dor neuropática possui características diferentes de outros tipos de dor.
Ela está relacionada a alterações no próprio sistema nervoso e, por isso, pode exigir estratégias terapêuticas específicas.
A identificação correta do tipo de dor é essencial para evitar tratamentos inadequados e direcionar melhor a assistência.
Esse foi um dos pontos relevantes da discussão sobre neuropatia diabética durante o Be Pain Free – Expert Session.
Conhecimento científico aplicado à prática clínica
Um dos principais valores de encontros científicos internacionais está na possibilidade de reunir experiências, estudos e abordagens utilizadas em diferentes contextos.
A participação da AMD no congresso em Miami permitiu ampliar as discussões sobre dor pós-operatória, analgesia multimodal, dor lombar crônica e neuropatia diabética.
Mais do que acompanhar tendências, o objetivo é compreender como novas evidências e estratégias podem contribuir para decisões clínicas mais bem fundamentadas.
Esse tipo de atualização também favorece a troca de experiências entre profissionais e fortalece uma cultura de cuidado baseada em conhecimento científico.
O que o congresso trouxe para a AMD?
A presença do Dr. Felipe Chiodini no Be Pain Free – Expert Session representou uma oportunidade de aprofundar temas diretamente relacionados ao trabalho do Núcleo de Dor da AMD.
Os conteúdos apresentados no congresso contribuíram para ampliar o debate sobre:
- tratamento da dor pós-operatória;
- analgesia multimodal;
- diferentes mecanismos envolvidos na dor;
- dor lombar crônica;
- avaliação da origem da dor;
- neuropatia diabética;
- estratégias terapêuticas individualizadas.
A participação do Dr. Felipe também como palestrante reforçou a presença da AMD nas discussões científicas relacionadas ao tratamento da dor.
Tratar a dor exige compreender o paciente
Um dos principais aprendizados do congresso foi justamente a necessidade de evitar abordagens generalizadas.
Dor pós-operatória, dor lombar crônica e dor neuropática possuem características diferentes e podem exigir estratégias distintas.
Da mesma forma, pacientes com diagnósticos semelhantes podem responder de maneiras diferentes aos tratamentos.
Por isso, o cuidado precisa partir de uma avaliação individualizada, considerando o tipo de dor, sua causa provável, intensidade, duração e as condições clínicas de cada pessoa.
O Be Pain Free – Expert Session reforçou essa visão e trouxe para a AMD novos conhecimentos relacionados ao controle da dor, analgesia multimodal e tratamento de condições dolorosas complexas.