O protocolo ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) foi tema central da reunião clínica AMD – Pro Gastro, realizada em São Paulo no dia 21 de novembro.
O encontro promoveu uma discussão aprofundada sobre a aplicação do ERAS nos cuidados perioperatórios e sua importância para a recuperação de pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos.
Participaram como palestrantes o professor doutor David Ferez, da UNIFESP; o doutor Pedro Kuis Bertevello, da Pro Gastro; e o doutor Mauricio Miranda Ribeiro, da AMD.
A reunião reforçou a importância da integração entre anestesiologia, cirurgia e demais profissionais envolvidos na assistência ao paciente ao longo de toda a jornada cirúrgica.
O que é o protocolo ERAS?
ERAS é a sigla para Enhanced Recovery After Surgery, conceito baseado em um conjunto de práticas de cuidados perioperatórios desenvolvidas para favorecer a recuperação do paciente e reduzir complicações após procedimentos cirúrgicos de grande porte.
Mais do que uma medida isolada, o ERAS propõe uma abordagem integrada, envolvendo diferentes etapas da assistência, desde o período anterior à cirurgia até a recuperação pós-operatória.
O protocolo discutido durante a reunião clínica AMD – Pro Gastro foi desenvolvido pela Sociedade ERAS e implementado em hospitais de referência na Europa.
À época, os dados apresentados apontavam resultados expressivos, incluindo redução de 30% no tempo de cuidados e de 50% nas complicações pós-operatórias.
Como o protocolo ERAS modifica o cuidado perioperatório?
Um dos princípios do ERAS é revisar práticas tradicionalmente utilizadas no período perioperatório e analisá-las à luz das melhores evidências disponíveis.
Quando necessário, determinadas condutas podem ser substituídas por práticas mais adequadas à recuperação do paciente.
Outro aspecto importante é a compreensão da jornada cirúrgica como um processo integrado.
Em vez de analisar isoladamente cada momento da assistência, o protocolo considera diferentes fatores capazes de interferir na recuperação do paciente antes, durante e depois da cirurgia.
Quais fatores podem interferir na recuperação após uma cirurgia?
Entre os aspectos abordados pelo ERAS estão fatores que podem contribuir para prolongar a permanência hospitalar após determinados procedimentos.
Entre eles:
- necessidade de analgesia parenteral;
- administração de fluidos intravenosos;
- alterações da função intestinal;
- repouso prolongado;
- redução da mobilidade.
O protocolo procura compreender como esses diferentes fatores se relacionam e como a atuação coordenada das equipes pode contribuir para uma recuperação pós-operatória mais adequada.
Qual é o papel da anestesiologia no protocolo ERAS?
A anestesiologia integra diferentes momentos do cuidado perioperatório e, por isso, tem participação relevante dentro de uma estratégia ERAS.
Avaliação pré-operatória, planejamento anestésico, controle da dor, manejo de fluidos e acompanhamento da recuperação são alguns dos elementos que se relacionam com a jornada do paciente cirúrgico.
Essa visão integrada também está relacionada ao conceito de medicina perioperatória, no qual diferentes especialidades e profissionais trabalham de maneira coordenada em torno da segurança e da recuperação do paciente.
ERAS e o trabalho integrado das equipes de saúde
Outro princípio importante do ERAS é oferecer uma orientação comum aos diferentes profissionais envolvidos no cuidado cirúrgico.
Cirurgiões, anestesiologistas, enfermagem e demais integrantes da assistência passam a atuar dentro de uma estratégia coordenada, acompanhando diferentes etapas da jornada do paciente.
A reunião clínica entre AMD e Pro Gastro possibilitou justamente a discussão dessa abordagem multidisciplinar e das práticas relacionadas à recuperação após a cirurgia.
Para a AMD Anestesia e Controle da Dor, encontros dessa natureza também representam uma oportunidade de discutir práticas relacionadas à anestesiologia e ao cuidado perioperatório com outras equipes envolvidas na assistência cirúrgica.